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Sopros de vida
Nathalia Timberg e Rosamaria Murtinho encenam peça de autor inédito no Brasil
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Sopros de vida

Por Herbert Bastos

Sopros de Vida

Sopros de Vida, de autoria do britânico David Hare, que pela primeira vez é encenado no Brasil, foi escrito especialmente para as atrizes também inglesas Maggie Smith e Judi Dench...Sabe o que algumas pessoas dizem que as melhores peças que um ator pode fazer ele as faz quando se está velho, e que os melhores papéis são para serem feitos na velhice? Não se pode aplicar essa teoria a este espetáculo que no Brasil é encenado pelas atrizes Nathalia Timberg e Rosamaria Murtinho, que pelo tempo de estrada que ambas possuem mereciam encenar juntas um espetáculo mais grandioso, mais a altura delas.

Certamente o que David Hare escreveu para suas conterrâneas, nossos autores poderiam escrever algo muito melhor, e porque não dizer: menos clichê que Sopros de Vida. A trama do espetáculo gira em torno do encontro de duas mulheres que durante 25 anos compartilharam o amor do mesmo homem. A peça, de certa forma, faz lembrar “A Mais Forte”, de August Strindberg, que é um clássico do teatro moderno, mas com uma densidade muito menor, a ponto que fazer tal comparação seria um erro. Sopros de Vida é uma peça leve, e até engraçada em alguns momentos.

Tudo se passa na casa da mulher não oficial, que recebe a visita da esposa do homem com quem conviveu durante anos. A ideia inicial seria um encontro para um acerto de contas entre as duas, mas o que acontece é mais um bate-papo entre comadres do que outra coisa. A partir desse diálogo fica claro que cada uma sabia da existência da outra e como era a relação que tinham com o homem que dividiam. Nesse encontro, cada uma delas expõe uma a outra o que julgam serem seus pontos fortes e o que possivelmente fez com que esse homem as escolhessem.

A direção que Naum Alves deu as atrizes faz o espectador ter a sensação de estar assistindo uma discussão de elegantes senhoras, daquelas que não baixam o nível nem mesmo em situações que esse rebaixamento seria completamente aceita. Contudo, o potencial de atuação das atrizes poderia ter sido melhor explorado. O cenário de Celina Richers compõe a casa de uma mulher que vive isolada de tudo e todos numa ilha. A iluminação de Wilson Reiz valoriza cada espaço do cenário. O Figurino de Beth Filipecki, que ajuda na composição de cada personagem, indica como é a personalidade de cada uma das mulheres.

Se tem em cartaz um espetáculo com um humor suave e dramaturgia leve. Conforme é dito no próprio programa, que por sinal não tem uma só linha que explique quem seja David Hare, “Sopros de Vida não é uma peça cabeça”, mas proporciona uma reflexão sobre como é a vida na velhice.


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